Francisco Carlos de Mattos
Este texto, que aqui denominamos de texto-relatorio, é fruto de um diálogo mantido com uma colega orientadora educacional, quando da visita à Divisão desse serviço, para alguns norteamentos das suas ações na unidade escolar que lhe fora reservada.
Causou-lhe grande espanto, que, após uma atividade tão interessante para a tríplice (cognitiva, afetiva e psicomotora) formação dos pequeninos educandos, alguns pais fossem ter a equivocada atitude que tiveram sem ter buscado explicações/orientações a quem e onde de direito, ou seja, com a professora, a direção, na escola.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), que prevê em seu Art.53 que a "criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania (...)", sustenta e norteia a ação pedagógica, tal qual foi executada pela profissional em questão. Se em casa a criança não é estimulada a desenvolver hábitos saudáveis em todas as instâncias possíveis da vida, onde os pais, com suas descabidas atitudes protecionistas, fazem um grande mal, pensando o contrário, há que se entender determinados comportamentos de alguns responsáveis. Ainda bem que esses são minoria. A porcentagem significativamente importante à escola, é o que nos interessa.
E o amanhã chegou... 07:00 horas, a professora no portão recebendo os seus pimpolhos. A sala já organizada e limpa, preocupação próxima de uma doença da "tia" (mesmo que politicamente incorreto, piagetianamente errôneo, esta caracterização ainda vai acompanhar a professora por muito tempo!), lá estava ela preparada para receber os alunos que, com certeza, iriam "deitar e rolar" com suas criatividades, experienciar coisas novas, aprender de forma prazerosa.
Explicado como seria feito, a turma foi organizada em duplas e trios em função do número de alunos, que normalmente conta com, no máximo, 25 crianças.
Iniciados os trabalhos, a previsão se materializava com a transformação da sala de aula. Quem passasse próximo, distinguiria verdadeira bagunça e não um serviço planejado; mas, lá dentro a produção era intensa e se havia alguma baderna, pode-se afirmar que todas as nunces desse, digamos, quiprocó pedagógico, tenha sido meticulosamente tencionado.
NOÇÕES DE CIDADANIA: AMBIENTE LIMPO NÃO É O QUE MAIS SE LIMPA, MAS O QUE MENOS SE SUJA OU O DIA DEPOIS DE AMANHÃ .
Esse dia de aula iria de alguma maneira entrar em contradição com o adágio popular, primeiro complemento do sub-título acima. A sala de aula estava limpa e arrumada e terminou, já se esperava, repleta de papéis picados.
- Se a gente encontra um lugar limpo, deve procurar mantê-lo dessa forma; mas, se por algum motivo, sujarmos, devemos limpá-lo!
Assim a professora, lembrando de sua filha, se pronunciou ao finalizar a atividade . Animadas, as crianças munidas de vassouras, pá e lixeira, em mutirão, deixaram a sala, de novo, um brinco.
No dia seguinte a escola recebe uma intimação do Conselho Tutelar, pois alguns pais entenderam que os seus filhos foram obrigados a desenvolver um trabalho escravo.
Durma-se com um barulho desse!


















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